Para quem já fez ou está cursando a disciplina de Estatística Experimental (ou Experimentação Agrícola, depende da universidade), já deve ter ouvido falar nos "princípios básicos da experimentação". E com certeza muitos vão apenas decorar esses princípios e não vão nem ligar para sua utilidade.
Acontece que os princípios básicos da experimentação nada mais são do que ideias que devemos seguir na hora de delinear experimentos agrícolas ou zootécnicos. E todo pesquisador deveria tê-los em mente e seguir esses princípios.
Mas afinal, como nasceram essas ideias, e para que servem?
Vamos ilustrar uma situação e perceber que, sem saber, poderíamos desvendar todos esses princípios por conta própria, basta pensar!
Ilustração:
Maria é uma jovem pesquisadora que deseja testar o efeito da adubação nitrogenada na altura de rosas britânicas (tá, isso foi inventado, mas vamos só imaginar). Percebam que no lugar de "rosas britânicas" poderíamos estar falando de qualquer cultura vegetal: milho, soja, alface, beterraba (para quem trabalha com animais, pode pensar em suplementação nitrogenada na ração).
Para tal, Maria plantou duas rosas, uma aplicando a adubação nitrogenada, e outra sem aplicar nada.
Maria pensou simples, bastava medir e comparar a altura das rosas e verificar se a adubação nitrogenada teria alguma influencia.
Isso que Maria está tentando fazer é o que chamamos de "inferência". Maria está tentando inferir que, se em sua AMOSTRA a adubação possa influenciar na altura das plantas, então, essa mesma adubação, irá influenciar da mesma maneira na altura de qualquer outra rosa britânica (POPULAÇÃO).
Mas Maria era um tanto paranoica e começou a imaginar diversas situações que alterassem a altura das plantas além da adubação: ataque de pragas, intempéries climáticas, ou até mesmo o espirro inoportuno de alguém que passasse por perto. Ela imaginou que tudo poderia influenciar na altura das suas queridas rosas.
Por isso, para garantir, Maria resolveu replantar 8 rosas, aplicando a adubação nitrogenada em quatro delas, e deixar sem adubação as outras quatro.
Claro, fazendo isso ela reduzia as chances de que efeitos aleatórios, que ela não pudesse determinar, afetassem a altura das rosas.
Maria, sem saber, aplicou o primeiro princípio básico da experimentação: a REPETIÇÃO.
Prosseguindo com sua ideia, ela então separou os 8 vasos e preparou sua adubação nitrogenada. Mas ocorreu outra dúvida. Em quais vasos ela deveria aplicar a adubação nitrogenada? E se por acaso ela aplicasse exatamente em quatro vasos que possuem em seu substrato algo que altere a química e desfavoreça a altura das plantas?
Era paranoia demais para Maria aturar, então ela resolveu algo bem simples: sortear os vasos que receberiam a adubação nitrogenada.
Claro, assim Maria tornaria as chances iguais para todos os vasos de receberem ou não a adubação.
Maria, mais uma vez sem saber, aplicou o segundo princípio básico da experimentação: a CASUALIZAÇÃO.
A nossa jovem pesquisadora continuou a analisar toda a montagem de seu experimento, e ficou intrigada com a irrigação.
Ela percebeu que os tubos de gotejamento de seu sistema pingavam mais gotas de água na primeira parte da bancada do que na segunda parte.
Bem, de todas as preocupações paranoicas de Maria, essa era a única que ela tinha certeza que de fato ocorria. Pra resolver este problema ela pensou da seguinte maneira: bastava distribuir quatro dos vasos na primeira parte da bancada e quatro dos seguintes vasos na segunda parte, e além disso, garantir que dois estejam adubados (e dois não estejam) em cada parte da bancada.
Assim Maria aleatorizou o efeito da irrigação igualmente para os dois tratamentos e aplicou o terceiro princípio básico da experimentação: o CONTROLE LOCAL.
Vejam que os princípios básicos da experimentação, REPETIÇÃO, CASUALIZAÇÃO e CONTROLE LOCAL, nada mais são do que fundamentos que nos auxiliam a minimizar os erros que podem afetar no resultado de nosso experimento.
Nas próximas publicações veremos como Maria fará para calcular esse experimento e chegar em algum resultado. Nos acompanhe!
kd Os proximos!!!!
ResponderExcluirDidaticamente perfeito!
ResponderExcluirBons exemplos de aplicação!
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